Com 36 casos, indústria da JBS espalha coronavírus em cinco municípios

Dois moradores de Rio Brilhante que trabalham na Seara em Dourados testaram positivo; MPT cobra redução da atividade

| CAMPO GRANDE NEWS


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Se fosse uma cidade, a indústria JBS Foods Seara em Dourados, a 233 km de Campo Grande, ocuparia o segundo lugar estadual em incidência do novo coronavírus. Números apurados nesta quinta-feira (21) pelo Campo Grande News revelam que pelo menos 36 funcionários da unidade que produz cortes e derivados de carne suína já testaram positivo para covid-19.

A indústria tem pelo menos 4.300 funcionários, o que representa incidência de 837 casos para cada grupo de cem mil pessoas. Esse é o critério adotado pelas autoridades de saúde para definir a incidência de doenças entre a população. Em Mato Grosso do Sul, só Guia Lopes da Laguna tem incidência maior: 1.192 casos para cada cem mil habitantes. Na lista dos municípios, o segundo colocado é Brasilândia, com incidência de 151,6.

Empregados da Seara em Dourados estão levando o vírus para pequenas cidades da região. Fátima do Sul, Vicentina, Douradina e Rio Brilhante confirmaram os primeiros casos de covid-19 em maio e todos eram funcionários da JBS Foods Seara.

Rio Brilhante, a 160 km de Campo Grande, confirmou seus dois primeiros casos, conforme anunciou hoje o prefeito Donato Lopes da Silva (PSDB). O homem de 34 e a mulher de 30 são funcionários da Seara em Dourados.

Eles estavam entre os 16 trabalhadores da indústria transportados no ônibus parado terça-feira (19) na barreira sanitária instalada pela Prefeitura de Rio Brilhante na entrada da cidade. Todos tinham sintomas da doença, mas doze apresentaram resultado negativo na testagem rápida. Cinco passaram por exames e dois já apresentaram o vírus. Os outros três suspeitos ainda aguardam resultado.

Também saiu da indústria da JBS em Dourados o contágio que já afeta quase 40 índios da Aldeia Bororó. A funcionária de 36 anos foi diagnosticada com a doença no dia 13 deste mês. Depois disso os casos confirmados do novo coronavírus pipocaram na reserva mais populosa do país, com 18 mil moradores. Até ontem, 43 estavam isolados na Casa do Cursilho, cedida pela Igreja Católica em Dourados.

A reportagem apurou que o caso dessa trabalhadora indígena é emblemático, já que ela viajou para a região sul do Estado e não comunicou a seus superiores. Pelo protocolo da empresa, ela deveria cumprir período de quarentena antes de voltar ao trabalho.

“Chance de contágio nula' – No mesmo dia em que o caso da indígena foi confirmado, equipe da Vigilância em Saúde de Dourados esteve na indústria da JBS/Seara e afirmou ser nula a chance de contágio no local de trabalho.

“A equipe acabou de sair da JBS. Lá encontram protocolo rigoroso em que o funcionário ao chegar para o turno de trabalho é verificada temperatura com termômetro digital à distância e deslocamento para área de paramentação. Todos lá dentro utilizam máscara, gorro, macacão, luvas, bota e protetor facial. Ou seja, a chance de contágio no local de trabalho é nula', afirma relatório da equipe ao qual o Campo Grande News teve acesso.

Segundo a Vigilância em Saúde, a indígena trabalha em um box na área de cortes. “Desde o dia que apresentou sintomas e foi afastada, a empresa também afastou, por prevenção, os quatro profissionais que atuam ao redor dela', afirma o relatório. Entretanto, o vírus se espalha na indústria Seara localizada na BR-163, saída para Campo Grande. Já são 36 casos confirmados com os dois de Rio Brilhante.

Outra indústria de alimentos que já preocupa é o frigorífico de frango da BRF (Brasil Foods), nascida com a fusão entre Sadia e Perdigão. Pelo menos três funcionários da indústria localizada no Distrito Industrial. Dois são de Dourados e um é de Fátima do Sul. Só na BRF são 236 trabalhadores já afastados por causa do coronavírus.

O MPT (Ministério Público do Trabalho) acompanha de perto a proliferação do vírus nesses dois frigoríficos de Dourados. Amanhã às 8h30, o procurador do Trabalho Jeferson Pereira vai anunciar ações desenvolvidas até o momento para conter os riscos de contágio.

O órgão cobrou do Comitê de Gerenciamento de Crise do Coronavírus e da Secretaria Municipal de Saúde informações se os protocolos de segurança estipulados nos planos de biossegurança de ambos frigoríficos são efetivos para evitar a proliferação do vírus e se estão sendo cumpridos. Em todo o Estado, o MPT orientou as indústrias a reduzirem as atividades e manter o mínimo possível para garantir o abastecimento da população.

JBS – Em nota enviada pela assessoria de comunicação, a JBS informou que tem como prioridade a saúde dos seus colaboradores e que tem aplicado todas as medidas de segurança e prevenção contra a covid-19 conforme orientação dos órgãos de saúde e de especialistas contratados pela empresa, incluindo médicos infectologistas e o Hospital Albert Einstein.

“Entre as ações de segurança e proteção implementadas pela JBS, está o afastamento temporário dos colaboradores do grupo de risco – maiores de 60 anos, gestantes e os que tenham indicação clínica. Também fazem parte dos afastados, os colaboradores que apresentarem sintomas gripais, que tenham recomendação médica e os que tenham testado positivo para a covid-19. Em todos os casos, os colaboradores têm seus benefícios garantidos e recebem assistência e acompanhamento integral por parte da empresa', afirma a JBS, sem comentar, no entanto, o aumento dos casos na indústria em Dourados.

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