Paraguai segue à risca medidas de isolamento e consegue conter disseminação do coronavírus

Até a última segunda-feira, houve 1.379 casos e 13 mortes, com apenas dois óbitos no último mês

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Getty Images, Reprodução

Embora a América Latina tenha se tornado o epicentro da pandemia do novo coronavírus, no Paraguai, a vida parece ter tomado seu curso. Por lá, as pessoas frequentam bares, teatros e igrejas, mas, com capacidade limitada, usando máscaras e respeitando o distanciamento social.

Informações da BBC, revelam, que o Paraguai faz isso com números invejáveis. Até a última segunda-feira (22), houve 1.379 casos e 13 mortes, com apenas dois óbitos no último mês. Essa estatística representa taxa de duas mortes por milhão de habitantes, a mais baixa da América do Sul. Muito distante do Brasil e seus 210 por milhão.

O que todos se perguntam é: como o país conseguiu isso?

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Carin Zissis, diretora do site de análise (AS/COA) Sociedade das Américas/Conselho das Américas), afirmou que uma das principais razões é que o governo paraguaio agiu com muita rapidez.

No início de fevereiro, quando nenhum caso de covid-19 havia sido registrado ainda, o governo de Mario Abdo Benítez suspendeu os vistos para todos os cidadãos da República Popular da China, bem como para qualquer estrangeiro que viajasse para a China continental.

Então, em 10 de março, três dias após a confirmação dos dois primeiros casos no país – os de dois cidadãos do Equador e da Argentina – Abdo, apoiado pelo ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, decretou o isolamento preventivo em nível nacional.

Entre as primeiras medidas, estavam a suspensão das aulas nas escolas, a restrição de todos os eventos públicos e privados e a declaração do toque de recolher noturno.

Tudo isso aconteceu um dia antes da OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar o surto de coronavírus uma ‘pandemia’.

Foi então que o diretor-geral de Serviços de Saúde do Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social do Paraguai, Juan Carlos Portillo, argumentou que esses casos vieram de países onde a transmissão não era comunitária.

“A pergunta que fizemos foi: ‘Podemos descartar que não temos circulação comunitária do vírus em nosso país?’ E a resposta foi não. Além disso, sabíamos que nosso sistema de saúde é fraco”, acrescenta Portillo, “e que tanto a estrutura quanto os profissionais de saúde estava sob pressão há semanas pela pior epidemia de dengue no Paraguai.”

Após alguns dias, as autoridades decretaram quarentena total, uma das mais rigorosas da região.

No início de maio, o governo estabeleceu a “quarentena inteligente”: pouco a pouco, e de acordo com um calendário dividido em quatro fases, algumas medidas de confinamento foram relaxadas e alguns setores econômicos foram abertos.

Na segunda-feira passada, o Paraguai entrou na terceira fase, que durará até o início de julho.

O governo paraguaio fechou suas fronteiras terrestres com Argentina, Bolívia e Brasil em 24 de março e hoje não contempla sua reabertura.

O presidente paraguaio chegou a afirmar que o Brasil era “a principal ameaça” na luta contra a pandemia, devido ao alto número de infecções e mortes.

Soldados paraguaios foram enviados à região de fronteira para impedir a entrada de automóveis e ônibus por comerciantes e residentes brasileiros.

Também foram erguidas cercas de arame farpado na cidade fronteiriça de Pedro Juan Caballero.

“Enquanto houver evidências de que a situação no Brasil não esteja melhorando, não há motivos para abrir as fronteiras”, diz Portillo, que resume a atual relação entre os dois países com uma frase: “Se o Brasil espirrar, o Paraguai terá uma pneumonia”. (Com informações da BBC News)



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