
A tenente-coronel Gabriella Letícia Fernandes de Oliveira tomou posse obtem (10) no comando do 3º Batalhão de Polícia Militar (BPM) em Dourados. O evento, que reuniu autoridades e representantes da sociedade civil na sede do Batalhão, marca um momento histórico para a segurança pública de Mato Grosso do Sul: ela é a primeira mulher a assumir o cargo máximo da corporação no município.
Gabriella assume a vaga antes ocupada pelo tenente-coronel Robson Roberto Lopes Ramos, que segue para Campo Grande para atuar no Comando Geral, na Coordenadoria Militar da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). Antes de chegar a Dourados, a nova comandante esteve por dois anos e meio à frente do 14º BPM, em Fátima do Sul, onde coordenou o policiamento de cinco municípios.
Em seu discurso de posse, a comandante destacou que o foco de seu trabalho estará pautado na eficiência do policiamento ostensivo e preventivo, além de ações sociais e palestras. Entre as prioridades imediatas, destacam-se:
Agilidade no 190: Garantir um atendimento rápido e eficiente às ocorrências registradas pela população;
Combate à violência doméstica: Ampliar o Promuse (Programa Mulher Segura), voltado ao enfrentamento de crimes de gênero;
Policiamento comunitário indígena: Estreitar os laços com as lideranças das aldeias locais para entender e atender as demandas da região em conjunto com a Polícia Civil e a Sejusp.
"A violência doméstica e familiar contra a mulher é um gargalo da segurança pública que precisa ser combatido. Está presente nos lares, então a gente tem que fazer um trabalho realmente ferrenho, porque nenhuma mulher merece morrer pelo fato de ser mulher", afirmou a tenente-coronel.
Com 18 anos de experiência na corporação, Gabriella traz na bagagem uma carreira sólida em cargos de liderança, que começou com a gestão de um pelotão até chegar a um dos maiores batalhões do Estado.
A comandante relembrou as barreiras históricas da instituição, como a antiga cota que restringia o ingresso de mulheres — obstáculo superado com a adoção da pontuação igualitária como critério de entrada. Ela afirma que, embora a instituição ainda seja majoritariamente masculina, nunca sofreu resistência interna, pois acredita que a competência se impõe.
"O que eu sempre falo é que nada resiste ao trabalho. Então a gente chega num local, mostra competência, mostra dedicação, independente de ser homem ou ser mulher, o pessoal respeita pelo trabalho mesmo", pontuou.
Ao reconhecer o papel simbólico de sua posse, Gabriella deixou uma mensagem de incentivo: "Estou aqui para mostrar que outras meninas podem estar em qualquer lugar. Lugar de mulher é onde ela quiser. Que meninas vejam essa foto, essa matéria e sonhem. Ela pode ser o que ela quiser, desde que trabalhe e batalhe para isso", concluiu.




