Polícia COMBATE À CORRUPÇÃO
Operação 'Neuro Complexus' mira fraude milionária na judicialização da saúde em MS
Investigação aponta que esquema envolvendo médicos, advogada e servidor aposentado causou prejuízo de mais de R$ 6,5 milhões aos cofres públicos.
16/06/2026 10h27
Por: Redação
FOTO - DIVULGAÇÃO DRACCO

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), deflagrou nas primeiras horas desta terça-feira (16) a Operação "Neuro Complexus". A ação visa desarticular um esquema criminoso que fraudava ações judiciais para desviar recursos públicos destinados a procedimentos médicos de alta complexidade.

Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão. Durante as diligências, os agentes apreenderam:

Como funcionava o esquema

As investigações começaram após um alerta do Núcleo Estratégico da Procuradoria de Saúde da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MS). O órgão identificou um padrão suspeito em processos movidos contra o Estado para o custeio de neurocirurgias.

Após um ano e meio de apuração, a DECCOR descobriu o seguinte mecanismo:

Padrão suspeito: Desde 2022, pelo menos 40 ações judiciais com pedidos de bloqueio de verbas para neurocirurgias de urgência foram protocoladas pela mesma advogada.

Prejuízo milionário 

Segundo a Polícia Civil, a rede criminosa contava com uma atuação coordenada entre médicos, a advogada, empresas da área da saúde e um intermediador — que é servidor público aposentado.

Juntos, eles obtiveram uma vantagem econômica indevida de R$ 6.529.208,57, gerando grave prejuízo ao erário. Os investigados poderão responder pelos crimes de:

  1. Organização criminosa;

  2. Estelionato contra a administração pública;

  3. Fraude processual;

  4. Lavagem de dinheiro.

Nota: Os envolvidos também estão sujeitos a sanções de natureza ético-disciplinar em seus respectivos conselhos de classe.

Força-tarefa 

A operação de grande porte contou com o apoio estratégico de outras delegacias especializadas da Polícia Civil de MS, sendo elas: GARRAS (Roubo a Banco, Assaltos e Sequestro), DECCO (Combate ao Crime Organizado) e DERF (Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos). No caso dos mandados cumpridos contra a advogada, os trabalhos foram acompanhados de perto pela Comissão de Prerrogativas da OAB/MS.

Por que "Neuro Complexus"? O nome faz alusão à alta complexidade dos procedimentos médicos que serviam de fachada para o golpe (especialmente as neurocirurgias), além de referenciar a complexa estrutura articulada entre os suspeitos para manipular o sistema de judicialização da saúde.