
Uma cena de extrema crueldade contra um animal de estimação terminou com a prisão de Geraldo Donizete Rodrigues Simão, de 63 anos, na noite desta quarta-feira (17/6), no Jardim Carisma, em Dourados. Ele é acusado de matar um filhote de cachorro com vários golpes de faca dentro do conjunto de quitinetes onde morava.
De acordo com o boletim de ocorrência, o tutor do animal chegou ao local por volta das 20h e percebeu o vizinho segurando uma faca. Em seguida, ouviu gemidos e uma respiração ofegante vindos de uma área escura do pátio. Utilizando a lanterna do celular, ele passou a procurar a origem dos sons e encontrou o cachorro ainda agonizando.
Conforme relatado à polícia, ao questionar o vizinho sobre o que havia acontecido, recebeu uma resposta fria e direta: que pegasse o próprio animal. O filhote apresentava ferimentos graves e já estava praticamente sem vida. Desesperado, o tutor pediu ajuda a outros moradores do conjunto habitacional, enquanto a Polícia Militar (PM) era acionada.
Os militares ouviram as testemunhas e deram voz de prisão a Geraldo, encaminhando-o para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), onde foi autuado em flagrante por maus-tratos contra animais com resultado morte. O cachorro não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O caso causou revolta na região, e imagens fortes registradas após o crime circularam em grupos de mensagens. O acusado segue preso à disposição da Justiça.
O episódio brutal registrado em Dourados reflete uma realidade alarmante que se repete diariamente em todo o país. Nos últimos anos, as denúncias de maus-tratos contra animais domésticos apresentaram um crescimento vertiginoso no Brasil, impulsionadas tanto pelo aumento da conscientização da população quanto pela facilidade de canais de denúncia (como o Disque 181 e a internet).
A realidade em números:
Crescimento de denúncias: De acordo com dados de secretarias de segurança pública de diversos estados e de ONGs de proteção animal, as denúncias de maus-tratos chegam a subir mais de 10% a 15% ao ano em grandes centros urbanos.
O perfil da violência: Cães e gatos são as principais vítimas. O abandono, a negligência (privação de água e comida) e as agressões físicas diretas (como espancamento e esfaqueamento) lideram o ranking de ocorrências.
Casos como o de Dourados são enquadrados na Lei nº 14.064/2020 (conhecida como Lei Sansão), que alterou a Lei de Crimes Ambientais.
Pena: A punição para maus-tratos a cães e gatos passou a ser de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda.
Aumento de pena: Quando a violência resulta na morte do animal (como ocorreu neste caso), a pena é aumentada de um terço a um sexto.
Flagrante: Por ser um crime com pena de reclusão, o agressor não assina apenas um termo circunstanciado; ele é preso em flagrante e levado diretamente ao sistema penitenciário, sem direito a fiança imediata pela autoridade policial.
Como denunciar: Maus-tratos contra animais é crime. Populares podem denunciar casos semelhantes por meio do Disque Denúncia (181), diretamente à Polícia Militar (190) ou na delegacia de polícia civil mais próxima.