
Um acidente de trabalho trágico resultou na morte do trabalhador Edvan Andrade da Silva, de 48 anos. Ele faleceu no Hospital da Vida, em Dourados após cair de um andaime de aproximadamente três metros de altura quando trabalhava no município de Nova Andradina.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, o acidente aconteceu na manhã de terça-feira (16). Relatos apontam que Edvan sofreu uma crise convulsiva enquanto estava na estrutura, o que provocou a queda.
O trabalhador foi inicialmente socorrido e levado ao Hospital Regional de Nova Andradina, onde apresentou novas convulsões e perda de consciência, precisando ser intubado. Devido à gravidade, foi transferido às pressas para o Hospital da Vida na mesma noite. Os exames constataram lesões no tórax e um grave traumatismo craniano com hematoma cerebral. Apesar de ter sido submetido a uma cirurgia de emergência para a retirada de um coágulo, Edvan não resistiu aos ferimentos. O caso foi registrado nesta quinta-feira (18) na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) como morte decorrente de fato atípico.
A morte de Edvan não é um caso isolado e expõe a vulnerabilidade de milhares de profissionais diariamente. O Brasil vive um cenário crítico: dados consolidados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que o país atingiu seu recorde histórico de violência ocupacional na década, registrando 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes em seu último levantamento anualizado.
Desde 2020, o país enfrentou um salto drástico de 60,8% no número de óbitos de trabalhadores formais.
O setor de construção civil (onde o uso de andaimes e o risco de quedas são constantes) e o setor de transportes continuam figurando entre os mais letais do mercado nacional.
Além da imensurável perda humana para as famílias, os acidentes de trabalho geram um impacto profundo na economia e na previdência social. De acordo com a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), o país acumula uma média anual de:
106 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos temporários.
249 milhões de dias debitados (contabilizando mortes e invalidez permanente).
Especialistas e autoridades reforçam que acidentes causados por mal-estar súbito — como o que acometeu Edvan — evidenciam a necessidade de exames de saúde ocupacional rigorosos e de estruturas de proteção coletiva (como redes e cintos de segurança ancorados) que protejam o trabalhador mesmo em situações de perda de consciência.