Veja dicas de economistas para fazer melhor uso do 13º salário

Para economistas, trabalhador está mais cauteloso e prefere quitar débitos a consumir produtos

| CORREIO DO ESTADO / SÚZAN BENITES


Foto: Marcello Casal / Agência Brasil

Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MS) indica que 50% dos cidadãos sul-mato-grossenses pagarão dívidas com o 13º salário. O dinheiro pode ser usado para presentear, investir, ou pagar débitos. Economistas dão dicas para fazer o melhor uso desses recursos.

O levantamento aponta que o pagamento do 13° salário deve injetar R$ 2.657.263.972,96  na economia de Mato Grosso do Sul em 2019. Os dados são da pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que apontam ainda que o número de pessoas que receberão a gratificação de Natal no Estado diminuiu. O valor representa incremento de 2,12% em comparação com o ano passado, um acréscimo de R$ 55.272.513,99 no total de recursos na comparação com 2018. De acordo com a pesquisa, os valores serão pagos para 1.003.186 pessoas, o que representa uma redução de 6,1% na participação de trabalhadores, ou de 64.630 pessoas. 

DÍVIDAS

Segundo a economista da Fecomércio-MS Daniela Teixeira Dias, tradicionalmente as pessoas tendem a usar o recurso para o pagamento de contas, estejam elas em atraso ou não. “Isso representa 50% para utilização do décimo terceiro, seguido das comemorações e compras de presentes de Natal, o que representa geralmente cerca de 10%. Vale ressaltar ainda o lado voltado para poupança e para despesas de começo de ano, como impostos e material escolar”, explicou. Para a economista, o pagamento de dívidas tem sido consolidado com a redução da inadimplência entre as famílias. “No início da instabilidade econômica, nós falávamos que 17% a 20% das famílias estavam inadimplentes, hoje esse porcentual representa 12%, de acordo com os dados da pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo [CNC]. Isso se deve principalmente por uma alteração no comportamento da população no sentido de realmente quitar as dívidas. As pessoas, de fato, estão mais cautelosas. Elas têm expectativas positivas quanto à recuperação da economia, mas continuam com essa cautela. Por isso, o pagamento de dívidas deve continuar sendo um dos principais elementos na utilização do 13º salário”, analisou Daniela.

USO DOS RECURSOS

Outra parcela da população vai usar o 13° salário para investimento. Conforme economistas ouvidos pelo Correio do Estado, o melhor a fazer é se planejar, colocar no papel todas as despesas e receitas mensais. “Se for guardar o dinheiro, avalie onde compensa mais. Se for em aplicações, hoje em dia, a gente pode dizer que a aplicação mais segura ainda é a poupança, mas o rendimento dela está muito baixo. Depois, nós temos o tesouro direto, que também não anda lá essas coisas, mas há ainda outras aplicações ofertadas pelos bancos. Então há a necessidade de comparar e avaliar da mesma forma que a gente compara as taxas de juros de dívidas e financiamentos”, explicou Daniela Dias.

O economista Marcio Coutinho disse que as  pessoas devem utilizar o 13° de uma maneira que elas se sintam felizes e que satisfaça suas necessidades.

“Para aplicar o dinheiro vai depender do tipo do investidor, se ele é mais agressivo, se é mais conservador, por quanto tempo ele pode deixar esse dinheiro aplicado. Independentemente do tipo de investidor, tentar uma rentabilidade superior à inflação, para ter um ganho real com os investimentos, dessa maneira ele preserva seu poder de compra”, analisou.  Para a superintendente da Unicred, Ana Carolina Ramos, a metade do abono deve ser utilizada preferencialmente para quitar dívidas. “No atual cenário econômico, a recomendação é que o consumo seja a última opção”, avalia.

Ela ressalta ainda que um dos principais passos para uma boa saúde financeira é o ato de poupar. O recurso do 13º salário é uma boa oportunidade para aprender sobre planejamento financeiro. “Poupando seu dinheiro, é possível garantir um futuro mais tranquilo e estável, além de realizar sonhos.  E em tempos de crise econômica, é imprescindível possuir uma reserva para não se surpreender em casos de emergência”, alerta Ana Carolina.

POPULAÇÃO

A gratificação de Natal é esperada pelos trabalhadores e permite que haja um planejamento prévio para investimento dos recursos. Entre os cidadãos sul-mato-grossenses, alguns vão pagar contas, outros investir em reformas, festas e há também os que guardarão o recurso extra.  

Entre os que utilizarão o dinheiro extra para pagar contas, está a funcionária pública Ursula Andressa de Menezes, 35 anos. “Vou pagar o cartão de crédito. Meu filho faz um ano em dezembro, então estou comprando as coisas no cartão e lá vai todo o 13°”, explicou. Quem também vai usar as finanças para o pagamento de contas é a professora Débora Mosqueira, 30. “Vou pagar boletos, usar para pagar as contas do dia a dia”. 

A jornalista Mirtes Ramos, 40, quer encerrar o ano sem dívidas. “Vou terminar depagar contas mais pesadas e comprar presentes para minha família”. Já o assistente administrativo Marcelo Barbosa, 43 anos, vai aproveitar o dinheiro para pagar impostos. “Vou pagar as contas como o IPTU e o IPVA”, afirmou. 



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