
O ex-deputado estadual Roberto Razuk morreu na manhã de hoje(15), às 10h15, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP) aos 85 anos. Ele estava internado na UTI ( Unidade de Terapia Intensiva), em tratamento de uma grave infecção pulmonar.
Figura histórica da política de Mato Grosso do Sul, Roberto Razuk cumpriu dois mandatos na Assembleia Legislativa entre1987 a 1995. Integrante de uma tradicional família política, ele era casado com a ex-prefeita de Dourados, Délia Razuk, e pai do ex-deputado Neno Razuk. Além do parlamento, teve marcante atuação no esporte sul-mato-grossense como presidente do Ubiratan Esporte Clube, de Dourados.
Prisão domiciliar e Operação Successione (Gaeco)
Razuk estava sob regime de prisão domiciliar monitorada por tornozeleira eletrônica. Ele havia sido preso em novembro do ano passado durante desdobramentos da Operação Successione, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
As investigações do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) apontavam Razuk como suspeito de envolvimento em organização criminosa armada, corrupção, violação de sigilo profissional e exploração do jogo do bicho em Campo Grande e no interior do estado. A apuração indicou que o grupo atuava com violência e roubos de armas de fogo para disputar o monopólio da jogatina após o vácuo deixado pela Operação Omertà.
Na ocasião da prisão a justiça concedeu prisão domiciliar ao acolher o pedido da defesa. Os advogados justifiticam a idade avançada, comorbidades graves e o estado de saúde "extremamente debilitado" de Razuk, que havia passado recentemente por uma cirurgia oncológica para a retirada de um tumor cancerígeno e necessitava de cuidados intensivos contínuos.
Prisão na década de 1990
A trajetória de Roberto Razuk também já havia registrado passagens pelo sistema carcerário na década de 1990, quando foi preso e cumpriu pena na Penitenciária de Segurança Máxima Harry Amorim Costa (PHAC), em Dourados, por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
De acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o empresário obteve de forma fraudulenta, em 1995, um empréstimo de R$ 3,5 milhões junto ao Banco do Brasil. Para respaldar a operação financeira, foram apresentados documentos públicos falsificados da Fazenda Nabileque, em Ladário (MS) — propriedade que figurava em nome da empresa Cipams Ltda, mas que pertencia, na realidade, a um funcionário do próprio ex-deputado.