Na "bad" por conta do isolamento, a saúde mental precisa de atenção

Bombardeados o tempo todo com informação, muitas vezes falsas, ficar em quarentena tem mexido muito com o emocional

| PAULA MACIULEVICIUS BRASIL / CAMPO GRANDE NEWS


'Essa foto é um fôlego meio a tanta coisa que tem nos sufocado', diz a autora dela. (Foto: Marithê do Céu)

A fota acima estava guardada em meus arquivos há muito tempo, nem sei ao certo dizer porquê. Acredito que pelas cores do céu e o casal de pássaros, observá-la me trazia paz, ao mesmo tempo em que poderia significar também o afeto. Em tempos em que a gente não pode estar perto, o isolamento tem feito muita gente pensar.

Nas redes sociais, grupos de WhatsApp e entre quatro paredes mesmo, o assunto é coronavírus quase que o tempo todo. E, por mais que ficar em casa seja proveitoso, fazer isto sem saber por quanto tempo está pesando.

Bombardeados de Fake News e 'alertas' sobre a doença, a gente toma as medidas que pode, se previne, lava as mãos, usa álcool gel. Mas, há quanto tempo você não dá um abraço em alguém? Vi minha mãe, de longe, pela última vez na sexta-feira, quando deixei compras do mercado para ela. Me doeu não poder abraçá-la.

Ainda que estejamos presentes assim virtualmente, estar on-line não é a mesma coisa que olhar nos olhos. A quarentena pode trazer tristeza, angústia, ansiedade e estresse, especialmente se você também tem crianças dentro de casa como eu.

Psicóloga Keyth Gimenes de Barros tem reforçado, assim como tantos profissionais, o contato com os pacientes, justamente por saber que na pandemia é natural que ansiedade e estresses relacionados às incertezas das consequências do coronavírus deem às caras.

'Faça atividade, alongue-se, movimente-se. Atividades ao ar livre sem aglomerações estão liberadas. Veja e sinta o sol, reposição de vitamina D faz bem', diz.

Se informe, mas não demais. Busque notícias reais em canais confiáveis. 'Fique atento quanto o que acontece em seu município, estado, país e mundo. Cuidado com as Fakenews, não compartilhe informações que não conhece a fonte ou que somente despertará medo e desespero. Seja responsável', recomenda.

Com as crianças, Keyth fala para a gente explicar da forma mais simples possível o que está acontecendo, garantindo que logo logo as atividades com amigos podem voltar. 'Faça chamada por vídeo para diminuir a saudade e angústias das pessoas queridas. Acolha seus sentimentos e brinque'.

Ela também pontua a importância de 'não rotular'. 'Não seja preconceituoso com os atingidos, ninguém escolheu passar por isso. Por trás de cada indivíduo tem uma família com medo da perda e que está preocupada. Entendo que o medo faça parte de todos nós, mas não nos dá o direito de julgar e tão pouco punir os outros', descreve.

É importante também pensar no próximo, e hoje, mais do que nunca, a gente vem percebendo que vivemos em sociedade, em grupos e não isolados, por mais que a recomendação seja a de não sair de casa.

'Este momento é uma excepcionalidade. Se sobrar para você pode faltar para muitos. Pense nos valores e princípios que tanto defende. Seja ético. Conecte-se com sua família. Em uma era tão digital onde nos conectamos virtualmente com tantas pessoas, temos o desafio de olhar para os nossos familiares e compartilhar falas, pensamentos e o mais importante TEMPO. Aproveite este momento, vamos encarar como uma oportunidade'.

Ah, e voltando à foto, a autora dela é uma amiga, jornalista e fotógrafa, Marithê Lopes, que ao longo da carreira vem se apresentando como Marithê do Céu por estar sempre olhando para o alto. 'Eu tenho o costume de subir no telhado de casa para admirar o céu, essa foto foi tirada no início desse ano que tem sido tão desafiador para todos nós. Os pássaros lado a lado, formando um coração e o céu colorido de fundo, resumem o que eu mais quero neste momento: poder estar ao lado de todas as pessoas que eu amo, abraçar e beijar, sem nenhuma restrição. Essa foto é um fôlego meio a tanta coisa que tem nos sufocado'.



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